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Cerca de 14 mil pessoas vivem no campo de refugiados de Jenin, sendo eles descendentes de palestinos deslocados após a criação de Israel em 1948

As tropas israelenses se retiraram nesta sexta-feira (6) da cidade e do campo de refugiados de Jenin, ao norte da Cisjordânia ocupada, após dez dias de incursão em que mataram pelo menos 19 pessoas e feriram dezenas, segundo informou a agência de notícias oficial palestina “Wafa”. O Exército israelense, por sua vez, limitou-se a confirmar hoje em um breve comunicado que nestes últimos dias da incursão em Jenin “eliminaram 14 terroristas e detiveram mais de 30 suspeitos”. “Vários locais de infraestrutura terrorista foram desmantelados, incluindo uma instalação subterrânea de armazenamento de armas localizada sob uma mesquita”, detalhou o texto.

No total, 36 palestinos morreram em ataques aéreos e combates corpo a corpo entre soldados e milicianos, incluindo oito crianças e dois idosos, segundo dados do Ministério da Saúde da Autoridade Nacional Palestina, que governa partes cada vez menores da Cisjordânia ocupada. A operação israelense também deixou cerca de 150 feridos e numerosas ruas, casas, lojas e infraestruturas elétricas foram destruídas, enquanto agora os habitantes têm medo do regresso das tropas, segundo relataram hoje à “Wafa”.

A incursão em Jenin tornou-se uma das mais longas da história do Exército israelense, depois de durar dez dias consecutivos. Mais de 70% das ruas foram devastadas após a passagem dos veículos blindados israelenses, segundo a prefeitura local. Jornalistas e fotógrafos também relataram ataques perpetrados por tropas israelenses enquanto cobriam a incursão. Um deles, o fotógrafo Muhamad Mansour, da “Wafa”, foi ferido por um tiro na última terça-feira (3), depois que o Exército israelense abriu fogo contra o veículo em que se encontrava, no oeste de Jenin.

Esta cidade é um bastião histórico da resistência armada palestina no norte da Cisjordânia ocupada. Cerca de 14 mil pessoas vivem no seu campo de refugiados, descendentes de palestinos deslocados após a criação de Israel em 1948, e a maioria são jovens desempregados. Nos últimos anos, uma nova geração de palestinos juntou-se como milicianos à Brigada Jenin, uma amálgama pouco sofisticada e altamente coordenada que inclui membros do Hamas, da Jihad Islâmica Palestina e dos Mártires de Al Aqsa de Fatah. Em toda a Cisjordânia, desde 7 de outubro, quando começou a guerra em Gaza e uma maior repressão no restante dos territórios ocupados, mais de 650 palestinos foram mortos por fogo israelense, incluindo 150 menores.

*Com informações da EFE